A bandeira dos voluntários da pátria e a retirada da laguna no ensino de história militar na Academia do prado mineiro

September 26, 2020

Introdução

 

Em 2020 completam-se 150 anos da Guerra do Paraguai (1864-1870), o maior conflito fratricida da América Latina. Ao logo dos anos diversos estudiosos se debruçaram sobre o evento, a partir de problemas, objetos, referenciais teóricos e metodológicos diversos. A pluralidade de olhares possibilitou compreender facetas desse evento complexo, permeado por questões políticas, econômicas, sociais e culturais.[1]

 

Neste estudo, procurou-se compreender aspectos mais regionalizados, especificamente localizados em Minas Gerais, com um recorte na História da Educação Militar da força pública estadual. O foco foi o processo de construção histórica dos elementos didáticos-pedagógicos empregados no ensino de história militar na Academia do Prado Mineiro, a partir da escolha do evento denominado “Retirada da Laguna”, ocorrido durante a Guerra do Paraguai. Assim, busca-se conhecer o processo que elegeu como um “elemento material da cultura militar” a bandeira dos Voluntários da Pátria. Como se desenvolveu o processo que entrelaçou as narrativas históricas institucionalizadas à bandeira dos Voluntários da Pátria. Tem-se como hipótese que o manual de História Militar e os livros produzidos por militares assumiram a centralidade das narrativas na reafirmação de valores vistos como desejáveis para os futuros militares estaduais. Metodologicamente, analisam-se como fontes históricas os manuais e os livros produzidos por militares, buscando identificar em fragmentos narrativos as “virtudes militares” tais como: sacrifício, abnegação e amor à pátria.

 

 

O restauro da bandeira dos Voluntários da Pátria de Minas

 

Em 1987, sobre a gestão do então Ministro de Estado e Cultura, Professor Celso Furtado, a diretora do Museu da República, no Rio de Janeiro, historiadora da arte Lilian Barreto afirmou que o museu considerava-se honrado “em devolver ao Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais a bandeira, talabarte e haste utilizados pelos Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai, em diversas batalhas, inclusive na Retirada da Laguna” (BARRETO, 1987, p.5). Dada a importância atribuída à ação de restauro, foi elaborado pelo Museu da República, um livreto que realiza um histórico do projeto (FIG. 1).

 

Figura 1 - Projeto de Restauração da Bandeira dos Voluntários da Pátria de Minas. 1987

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: BRASIL, 1987.

 

A bandeira dos militares mineiros foi entregue aos cuidados dos restauradores em 12 de agosto de 1986, após o diretor do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais[2], Tenente Coronel Capelão Luiz De Marco Filho, tomar conhecimento da excelência da restauração realizada pelos especialistas do pelo Museu da República na primeira bandeira oficial da República.

 

De acordo com os restauradores, a Bandeira dos Voluntários da Pátria estava bastante danificada, “com perda de cerca de noventa por cento de seu tecido original, face ao tempo e o uso” (FIG 2), uma vez que esteve no front em terras paraguaias no período de 1865 a 1870. Ela se encontrava “dilacerada pelas balas e partida em dois pedaços. Um projétil chegou a atingir a haste que se quebrou e foi emendada” (BARRETO, 1987, p. 6).

 

Figura 2 – Estado Físico da Bandeira dos Voluntários da Pátria de Minas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: BRASIL, 1987

 

A Figura 2 mostra o estão da bandeira, e de acordo com os especialistas as causas que contribuíram para a sua deterioração foram: má conservação, sujidade, condições inadequadas de acondicionamento, exposições em contato direto com a luz, calor e umidade Após fazer o diagnóstico, realizaram-se os seguintes trabalhos: levantamento histórico, pesquisa iconográfica, tentativa de recuperação máxima dos fragmentos restantes em suporte de organza pelo sistema de impregnação com cola mowilite (reversível com água e álcool), sendo que as partes faltantes ficaram visíveis (BRASIL, 1987, p.16).

 

A decisão de restaurar os poucos fragmentos existentes (correspondentes a 10 % da bandeira original), o envolvimento de tantas pessoas, instituições, e, sobretudo a dedicação dos especialistas envolvidos, que adotaram uma “concepção arqueológica” (conforme relatos coevos), fazem pensar nas relações entre elementos materiais da cultura, significados identitários e as lutas pela representação da bandeira para os militares mineiros.

 

Ao tratar dos elementos materiais da cultura, afirma Menezes (2011), que eles são percebidos como documentos de realidades sociais, e não como reflexos destes, mas integrados à sua construção. Os objetos, assim, não são apenas fetiches ou simples detentores de sentidos sociais deslocados de seus usos. Passados mais de cem anos, a “Bandeira” dos Voluntários da Pátria de Minas foi um instrumento de luta pela representação desejada e a ela foram dados novos usos.

No momento da entrega da bandeira restaurada os especialistas do Museu da República recomendavam que caberia “a todos aqueles que cuidarão da Bandeira a incumbência de mantê-la viva, pois sua essência como objeto que representou nossa Pátria em momentos historicamente importantes, deve ser resguardada para as futuras gerações” (BARRETO, 1987, p. 17).

 

Quais instrumentos pedagógicos foram utilizados para “manter viva a memória dos Voluntários da Pátria” e de outros militares que saíram de Minas Gerais e lutaram no Paraguai? Como foi (re) construída a memória de um evento tão traumático transformando-o em motivo de comemoração e elegendo-o como digno de ser lembrado pelos militares mineiros em pleno século XXI? Como ocorreu o processo que transformou a bandeira, enquanto elemento material da cultura, em “monumento-documento”, herança do passado e escolha do historiador (LE GOFF, 2003).

 

A primeira função da bandeira ocorreu quando Dom Viçoso, bispo de Mariana, a benzeu em 1865 (SILVEIRA, 1966, p. 70). A Figura 3 é a representação da despedida da Brigada Mineira, em 10 de maio de 1865, posicionada em frente ao antigo Palácio dos Governadores (atual Museu de Mineralogia), em Ouro Preto.

 

Figura 3 – Despedida da Brigada Mineira. Ouro Preto. 1865

 

 

Fonte: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. IHGB/RJ. Localização DL 409.1-III.

 

A Figura 3 traz a representação iconográfica da despedida da Brigada Mineira, composta por vários contingentes militares, entre eles os Voluntários da Pátria de Diamantina, e integrantes do Corpo Policial de Minas. Em meios aos animais presentes na cena, cavalos, cães (agitados ou calmos) está um conjunto anônimo de homens, quase que massificados em suas formações militares, mas motivados por diversas questões e com intencionalidades diversas.

 

Um novo ritual simbólico ocorreria cinco anos mais tarde com o fim da Guerra do Paraguai. Em 1870 ocorreu o Auto do deposito da Bandeira do 17° Corpo de Voluntários da Pátria de volta da campanha do Paraguay na Cathedral da Diocese de Mariana (RAPM, 1911). A bandeira retornou após a guerra, mas não era mais a mesma. Tornara-se algo diferente, envolta em uma dimensão transcendental, marcada pela religiosidade e por elementos simbólicos que impregnam o universo militar.

 

A carga simbólica atribuída às bandeiras militares pode ser percebida nos relatos do jovem Oficial Engenheiro Militar Alfredo D’EscragnolleTaunay (1843-1899), que à época de sua escrita contava com pouco mais de 20 anos de idade. As narrativas foram condensadas no livro intitulado A Retirada da Laguna, traduzido do francês para o português em 1874. No livro relata suas experiências, uma vez que foi testemunha ocular da Campanha do Mato Grosso e das narrativas da Retirada da Laguna. Logo nas primeiras páginas do seu livro, o Oficial se dirige ao Imperador do Brasil afirmando que a

 

[...] narrativa da retirada da Laguna, obra de constancia e de disciplina, em que os officiaes de Vossa Magestade, tendo de defender, no meio de obstaculos de todo o genero, os estandartes e os canhões que lhes haviam sido confiados, não cessaram, tanto quanto coube em suas forças, de conter o legitimo resentimento de valentes soldados exasperados com o furor do inimigo, e de obstar á crueldade tradiccional de auxiliares índios que só respiravam vingança (TAUNAY, 1874, p. 6).

 

Na cultura militar, estandarte é sinônimo de bandeira, e possui uma dimensão que ultrapassa a simples materialidade do objeto, representando o próprio corpo militar, suas virtudes e tradições. Na estrutura militar portuguesa, legada aos brasileiros, caberia ao Alferes a condução da bandeira. Esse posto foi herdado da legião romana: o Aquilifer era o legionário que levava a águia como bandeira. O Alferes também existiu na estrutura militar árabe, sendo literalmente “aquele que conduz a bandeira” (BLUTEAU, 1713).

 

A narrativa épica, que destaca a importância da bandeira e o valor dos soldados, é reapropriada no século seguinte, construindo uma tradição. No início do século XX, Mário Franzen de Lima (1926, p. 19), diretor do Arquivo Público Mineiro (1922-1936), e autor de Minas e a Guerra do Paraguai, afirmou que:

 

O itinerario do Batalhão 17 constitue a mais brilhante fé de officio. Delle se verifica que os voluntários mineiros, após a Retirada da Laguna, ainda foram prestar serviços na zona platina, de onde só regressaram quando, pela fuga do dictadorparaguayo, a campanha estava virtualmente terminada. Mas a Bandeira do 17, quando foi para o sul, já estava saturada de gloria. A Campanha de Matto-Grosso foi que immortalizou os voluntarios de Minas. A retirada, nas condições em que foi feita, marca o auge da bravura e do martyrio .

 

Em 1987, foi criada uma seção específica no Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais, denominada Galeria da Guerra do Paraguai. Nela, a Bandeira dos Voluntários da Pátria era protegida por estruturas e colocada em local de destaque. Outro instrumento pedagógico foi a construção de uma “narrativa histórica” do evento e sua inserção em manuais de história militar e livros produzidos por militares.

 

A narrativa escolhida para imortalizar os Voluntários da Pátria de Minas foi a Retirada da Laguna. Os primeiros relatos foram feitos por Taunay, Oficial militar e secretário da Comissão de Engenheiros, a partir dos Diários de Campanha (TAUNAY, 1874). No século XX, cronistas, compiladores e historiadores ligados à história militar de Minas retomaram os feitos bélicos em terras paraguaias.

 

Em Minas Gerais destaca-se o historiador Theophilo Feu de Carvalho, que nasceu em Mariana, no ano de 1872. Seu pai, o tabelião Pedro d’Alcântara Feu de Carvalho, foi instrutor do Corpo Policial habilitado na Escola Geral de Tiro na Corte (em 1863) e oficial reformado do Exército depois da Guerra do Paraguai. Theophilo formou-se em Direito em Belo Horizonte, em 1910, e ingressou no Arquivo Público Mineiro. Os escritos de Feu de Carvalho sobre a história militar de Minas Gerais permaneceram inéditos até 2014, ano em que foram publicados em virtude da parceria entre o Arquivo Público Mineiro, Polícia Militar de Minas Gerais e Fundação João Pinheiro. (2014, p. 77-89). Na década de 1930 ele compilou fontes primárias localizadas no Arquivo Público Mineiro e os reuniu em texto denominado Guerra do Paraguai. Formação da Brigada com destino a Mato Grosso (1935).

 

Outro mineiro que se dedicou à História Militar de Minas Gerais foi Augusto de Lima Júnior (1889-1970), mineiro de Leopoldina, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Minas Gerais (1909), foi coronel auditor da 1ª Circunscrição Judiciária do Exército, e Procurador do Tribunal Marítimo da Marinha de Guerra. [3] Também dedicou parte dos seus estudos à Guerra do Paraguai no livro intitulado Crônica Militar (1960).

 

Em 1955, o então Capitão da Polícia Militar de Minas Gerais, Geraldo Tito da Silveira publicou A Polícia Militar de Minas (1955). Nele o oficial dedica um capítulo para tratar da Guerra do Paraguai. Em 1957, retoma o tema em Os Milicianos da Capitania do Ouro (1957). Seu capítulo V é intitulado “Os Voluntários da Pátria”. Onde destaca que um artigo publicado pelo Capitão da Força Pública de Minas Octávio Campos do Amaral, intitulado Retirada da Laguna na qual afirmava que “[...] os mineiros constituíram o maior e o melhor efetivo das tropas que operaram esse heróico feito” (SILVEIRA, 1957, p. 28). Em 1966 compilou novos documentos sobre a participação dos mineiros na Guerra do Paraguai e tratou da Retirada da Laguna (SILVEIRA, 1966).

 

Na década de 1970, o Major Anatólio Alves de Assis publica História do Terceiro Batalhão (1972), onde destaca a participação dos militares do Corpo Policial de Minas, em especial do 3º Batalhão, localizado em Diamantina na Guerra do Paraguai. Em 1984 publica Pequena História da Guerra do Paraguai, onde trata dos Voluntários da Pátria e da Retirada da Laguna. Em 1974, essa história militar é institucionalizada pela Polícia Militar com a publicação, pela Diretoria de Pessoal, do Registro Histórico da PMMG (10 de Outubro de 1981 a 10 Outubro de 1972). Nele, é mencionada a Guerra do Paraguai e a Retirada da Laguna.

 

O tema toma uma dimensão institucional com a publicação em 1988 com a publicação do manual História Militar da Polícia Militar de Minas Gerais, de autoria do Tenente Coronel Capelão Luís DeMarco Filho. O manual foi considerado trabalho técnico-profissional de acordo com a resolução 1677, de 11 de março de 1987. Várias edições e reimpressões foram realizadas até sua 7ª edição, revista e ampliada, publicada em 2005.

 

A bandeira restaurada dos Voluntários da Pátria de Minas seria incorporada à narrativa da Guerra do Paraguai e à Retirada da Laguna. Em 1988 narrava o Capelão Luiz DeMarco Filho em seu Manual de História Militar de Minas Gerais (1988, p. 40-41):

 

Não há maior martírio do que, depois de um passado de vitórias, um futuro de sofrimentos. Depois das primeiras lágrimas, depois da tristeza em deixar o território conquistado aos paraguaios, ao som do Hino Nacional, Bandeiras desfraldadas, parte o 17º BVP para alcançar nova vitória. Vitória, sim, porque apesar de ser uma Retirada, foi a consagração final da Expedição Brasileira. Só Deus sabe quanto sofrimento, quanta luta, quanta doença, quanta fome, quanta sede, quantas lágrimas, quanto sangue. Os olhos, banham-se de lágrimas os corações, de tristeza, ao acompanharmos essa Tropa, rota, faminta, na sua Retirada, até o seu quase total extermínio.

 

O militar, religioso e professor de História Militar na Academia (re) construiu a cena do campo de batalha, pintando em cores fortes o solo coberto de cadáveres; os enfrentamentos “corpo-a-corpo” com baioneta calada; a “terrível cavalaria paraguaia”, que pisoteava “impiedosamente” os soldados; as mortes de praças e oficiais e a profanação dos cadáveres contaminados pela cólera, que eram desenterrados pelos paraguaios em busca de dragonas e botões amarelos das fardas. Ao finalizar a narrativa, o Tenente Coronel DeMarco Filho (1988, p. 42) realizava a ligação desejada entre o que foi ensinado pelo professor, o que estava impresso no Manual de História Militar e o “documento-monumento”, a Bandeira dos Voluntários da Pátria:

 

No Museu Histórico da Polícia Militar, em Belo Horizonte, no Quartel da Academia, está depositada, como em escrínio de ouro, a Bandeira do 17º Batalhão de Voluntários da Pátria, 4ª Cia, a mesma, sim, a mesma que lutou nos Campos de Guerra do Paraguai. Ao vê-la, o nosso coração palpita e os nossos olhos marejam porque surge a invencível Bandeira do 17º BVP. O silêncio invade os nossos corações porque, diante desta Bandeira, o momento não comporta senão explosão de dor e a convulsão comovedora do soluço pelos sofrimentos de nossos patrícios, na inolvidável – Retirada da Laguna.

 

A narrativa de Marco Filho é carregada por sentimentos, patriotismo e religiosidade que marcaram sua produção intelectual e devocional, fruto de sua trajetória pessoal/profissional, e, especialmente, do seu lugar de fala. O Capelão era filho de italianos, e nasceu no município mineiro de Congonhas do Campo, em 1920. Estudou Filosofia e Teologia no Seminário de Belo Horizonte. Aos 27 anos de idade foi ordenado padre, e em 1958 ingressou na Polícia Militar como capelão, sendo professor no Colégio Militar de Belo Horizonte, na Academia do Prado Mineiro e no Colégio Tiradentes da Polícia Militar. Ele foi o idealizador, organizador e diretor do Museu Histórico. O acervo é constituído por peças que o capelão coletou nos batalhões localizados no interior do estado de Minas Gerais, e por aquisições particulares que ele fez a partir da década de 1970. Ele permaneceu à frente do Museu até sua morte, em 2014, aos 94 anos de idade. Seu legado permaneceu mesmo com a mudança das instalações do bairro Prado, bem como do nome de Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais para Museu dos Militares Mineiros, esse inaugurado em 2014. O Museu foi retirado da Academia e colocado sobre a responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo. Por outro lado, o Manual de História Militar chegou ao século XXI, sendo ainda utilizado na formação dos soldados e cadetes da Academia do Prado Mineiro. A força da narrativa e da (re) apropriação da Retirada da Laguna ultrapassou os séculos.

 

 

A construção de uma narrativa sobre os Voluntários da Pátria e a Brigada Mineira

 

A designação “Voluntários da Pátria” surge após a declaração de guerra ao Paraguai pelo Governo Imperial. Em virtude do Decreto nº 3.371, de 7 de janeiro de 1865, os brasileiros foram chamados às armas. Aqueles que atenderam ao apelo e se alistaram receberam o nome de Voluntários da Pátria. Nas diversas provinciais foram organizados 57 corpos, dos quais apenas 19 retornariam ao Brasil. Em Minas se formaram três corpos: os 17º, 18º e 27º, os dois primeiros em Ouro Preto, e o último em Uberaba. Desses, somente parte do 17º Corpo de Voluntários da Pátria retornou a Ouro Preto, em 6 de março de 1870 (RODRIGUES, 2009, p. 106).

 

Em Minas Gerais, na cidade de Ouro Preto, a proclamação foi realizada pelo Presidente da Província e pelo Bispo de Mariana. Nela, os mineiros foram concitados a se apresentarem como voluntários para socorrerem a Pátria. O Capitão Francisco Antônio do Prado leu a proclamação do Comandante Tenente Coronel Enéas Galvão, conclamando os militares do Corpo Policial a se incluírem no esforço militar.

 

O Corpo de Voluntários da Pátria deslocou da Capital da Província, Ouro Preto, para a Corte, no Rio de Janeiro, e de lá para a região platina, onde participou de diversas batalhas, tendo seu efetivo praticamente dizimado. Alguns estudiosos afirmam que parte do efetivo do 27º Corpo de Voluntários da Pátria, de Uberaba, teria sido incorporado na força expedicionária que deslocou para o Mato Grosso, outros afirmam que já haviam desertado nesse momento (SABIONI, 2017).[4]

 

Theophilo Feu de Carvalho (2014, p. 77) esclarece que a Brigada Mineira era uma tropa da arma de Infantaria Ligeira, composta pelos Voluntários da Pátria, integrantes do Exército, da Guarda Nacional e do Corpo Policial. Os corpos de voluntários foram reunidos em Ouro Preto e de lá partiriam para Uberaba, em 10 de maio de 1865. A Brigada Mineira, inicialmente comandada pelo Coronel José Antônio da Fonseca Galvão, era formada pela Guarnição do Exército, 21º Batalhão de Infantaria de Linha, comandada pelo Major José Tomaz Gonçalves (19 oficiais e 293 praças); 17° Corpo de Voluntários da Pátria, comandado pelo Tenente-Coronel Antônio Enéas Gustavo Galvão (40 oficiais e 635 praças); e Corpo Policial de Minas, comandado pelo Major Antônio Demétrio Gonçalves Corrêa (14 oficiais e 295 praças)[5], com um total de 1.296 militares.Posteriormente, foi batizada pelo Visconde de Taunay, como a Bela Brigada Mineira (MINAS GERAIS, 1867; ASSIS, 1989, p. 190; SABIONI, 2017, p.7).

 

A logística para as marchas até Uberaba foi calculada e havia planejamento detalhado para cada etapa do deslocamento, com previsão de armazenamento prévio de víveres nos pousos. Carvalho (2014) menciona o tipo e a quantidade de alimentos destinados aos soldados (carne, toucinho, farinha, café, açúcar, feijão, arroz, sal e aguardente), além de milho para os animais. Também informa os responsáveis pelo fornecimento da alimentação. Tropeiros eram contratados para levar a bagagem de oficiais, como foi o caso de José Barbosa Filho, que disponibilizou 30 bestas para essas atividades. Conforme Carvalho (2014), os Voluntários da Pátria uniformizavam-se com calças e sobrecasacas azuis, sem vivos e sem vistas, boné à Cavaignac. Os cantis poderiam ser de chifre ou folha de flandres.

 

A Brigada Mineira chegou a Uberaba em 20 de junho de 1865, após percorrer aproximadamente 500 km. Lá permaneceu aguardando as forças que vinham de São Paulo sobre o comando do Coronel Manoel Pedro Drago. Essas forças, inicialmente eram compostas por 556 homens. Entretanto, devido a deserções, questões de disciplina militar e mortes por varíola ou “bexiga”, chegaram apenas 366 militares (SILVEIRA, 1957, p.30). Essa tropa era formada por militares do Paraná, Artilharia do Amazonas, Guarnição no Exército estacionada em São Paulo, Cavalaria e Corpo Policial de São Paulo, e Comissão de Engenheiros do Rio de Janeiro, na qual se encontrava o Tenente Alfredo D´Escragnolle-Taunay (JOURDAN, 1893, p.59; MARCO FILHO, 1988, p. 39; ASSIS, 1989, p. 191; CARVALHO, 2014 p 84).

 

 

A campanha do Mato Grosso e a Retirada da Laguna

 

A epopeia durou 889 dias e foi composta por diversas marchas. De Ouro Preto (10 de maio de 1865) a tropa deslocou para Uberaba; de lá foi para a fronteira paraguaia, no sul do Mato Grosso; realizou a Retirada da Laguna (meses de maio e junho de 1867), e chegou em Cuiabá (16 outubro de 1867). Taunay (1874) narrou os 35 dias (8 de maio a 11 de junho de 1867) de infortúnios de soldados, mulheres e crianças que compunham a expedição durante o recuo realizado da Fazenda da Laguna até as margens do rio Aquidauana, na Província do Mato Grosso. Eles sofreram o flagelo da fome; realizaram caminhadas por campos incendiados e cheios de lama, em virtude dos constantes temporais; participaram de tiroteios quase diários; enfrentaram a cólera-morbo; à falta de transporte que acarretou o abandono dos doentes, à perda de seu comandante e a falta de apoio logístico (SABIONI, 2017).

 

No dia 4 de setembro de 1865, os soldados partiram de Uberaba em direção ao Mato Grosso, com eles iam mulheres e crianças. Chovia, muitas vezes não havia caminho, tampouco uma simples trilha. Em consequência atolavam os canhões e carros de boi, que conduziam munições e suprimentos. Rios caudalosos eram transpostos com o uso de canoas e balsas construídas com árvores derrubadas nas localidades. A varíola e outras doenças começavam a ceifar vidas de soldados, mulheres e crianças. Os alimentos não eram suficientes. Sem apoio logístico, proliferavam as sepulturas, em virtude da varíola, disenteria, desnutrição, febres e beribéri. Todos passavam fome, desde os maltrapilhos soldados até as esqueléticas mulheres e seus filhos, muitos desertavam (ASSIS, 1989, p. 191-193).

 

Mudanças constantes de comando da tropa e decisões estratégicas equivocadas conduziam a expedição a regiões infestadas de pestes, como a malária e a cólera; a ambientes de difícil acesso, como pantanais lamacentos e pestilentos, e ao aumento desnecessário das distâncias percorridas, por erros de guias e ordens superiores. Juntava-se a isso o inexplicável descaso do Governo Imperial em dar retorno às solicitações dos Oficiais Superiores que se encontravam no Teatro de Operações. Em muitos momentos os militares eram tomados por sentimentos de abandono e indignação. Sensações de desamparo e esquecimento eram potencializadas pela tristeza em decorrência das mortes de companheiras, filhos e camaradas (TAUNAY, 1915; ASSIS, 1989, p. 206; SABIONI, 2017, p. 11-13).

 

Em dezembro de 1865 a expedição chegou em Coxim, permanecendo até abril de 1866. Em setembro de 1866, entrou em Miranda, que fora abandonada pelos paraguaios, após realizarem saques e incêndios. O local era insalubre e contaminado por uma nova epidemia, a “paralysia reflexa” ou beribéri, que contaminou a tropa (TAUNAY, 1874, p. 17). Entre Coxim e Miranda morreram 1.100 pessoas. Depois de muito sofrimento os expedicionários atingiram o rio Apa, na fronteira com o Paraguai. No Apa, deveria ter permanecido aguardando instruções, provisões e reforços. Entretanto, a invasão do Paraguai, sem a devida preparação, pôs toda a conquista a perder com o trágico movimento retrógrado que deu origem à Retirada da Laguna. Durante a retirada, os expedicionários mostraram, seu valor suportando os ataques em meio a adversidades (SABIONI, 2017, p. 30-31). Nesse esforço estiveram presentes mulheres e crianças que acompanhavam os soldados.

 

O Tenente Taunay, testemunha da Campanha do Mato Grosso e da Retirada da Laguna,narrou as ações de uma das mulheres que integravam a expedição:

 

A mulher de um soldado, a negra Anna, prevenira os cuidados da administração militar nessa obra charidosa. Collocada durante a acção no meio do quadrado do 17.°, mostrara-se zelosa para com todos os feridos que traziam, tirando ou rasgando das próprias roupas o que era preciso para os pensar e ligar; proceder tanto mais notável e digno de admiração quanto o da mór parte das suas companheiras foi miserável. Haviam-se quasi todas escondido debaixo das carretas onde disputavam logar com horrível tumulto (TAUNAY, 1874, 125-126).

 

Taunay (1874) afirmava que Anna, mulher de um soldado, demonstrava valentia, destemor e cuidado com os feridos. Ela seria escolhida, posteriormente, pela historiografia militar institucionalizada como um exemplo de heroísmo. Na 7ª edição do Manual História Militar da PMMG, Marco Filho (2005, p. 50) rememorava: “A preta Ana rasgava em tiras as vestes, para fazer curativos nos feridos”. Anatólio Assis (1989, p. 188) afirma que Ana era a “grande heroína do combate de Nhandipá [Mato Grosso]”, e cita o poema Retirada da Laguna, de 1968, escrito por Martins de Oliveira, membro da Academia Mineira de Letras:

 

Que dizer da empresa e sua forma heroica? No estridor da contenda, havia alguém que dera prova de sangue frio e devotado zelo. Foi Ana, a Preta humilde. Em pleno campo esteve, no meio do esquadrão, e a todos os feridos acudira, serena. Enfermeira gloriosa, as feridas pensava em tiras extraídas às próprias roupas. Ia, a cada passo, olhando o que fazer, sem medo. As suas companheiras, tomadas de terror, aos gritos, esconderam de maneira qualquer, aconchegadas, todas, às carretas, em grupo. À impávida enfermeira pesava, fundo, o horror do mulherio em susto. Exclame a História sempre: - Ana Amélia! Ana Amélia!

 

O acadêmico Martins Oliveira (1968), após parafrasear a narrativa de Taunay (1874), destacando especialmente o heroísmo de Anna e o desespero das outras mulheres, incorpora a função de “fazer lembrar” da História. Entretanto, não somente Anna realizou ações no teatro de operações, outras mulheres marcharam com as tropas.

 

Taunay fornece informações que confirmam a presença de outras mulheres no front e não à retaguarda da tropa. Ao realizar a narrativa de eventos ocorridos especificamente durante a Retirada da Laguna, em maio de 1865,afirma que:

 

As mulheres que acompanhavam o exercito, copiadas na cabeça da ponte em numero de setenta e uma, estavam a pé, com excepção de duas montadas em burros; iam quasi todas carregadas com creânças de peito ou pouco mais velhas. Uma dellas passava-por haver procedido como heroina; apontavam-na; um paraguayo encarniçava-se contra ella para arrancar-lhe o filho que tinha nos braços, apanhou de um salto uma espada cahida no chão e matou alli mesmo o assaltante. Outra mais infortunada, tivera o filho recemnascido despedaçado ao meio por um inimigo que lho agarrara pelas pernas. Tinham todas impresso no semblante o estygma do sofrimento e da mais extrema miséria. Algumas vinham ainda carregadas com os objetos provenientes do saque, mantos, ponches, pesadas espadas paraguayas, bayonetas e revolvers (TAUNAY, 1874, p. 160).

 

Nota-se que as mulheres sofriam as agruras da guerra e das contingências decorrentes das ações bélicas. Elas agiam e possuíam funções nesse esforço militar. Em alguns momentos as mulheres ficam nos acampamentos, mas não era uma conduta padronizada. A esse respeito narrou Taunay (1874, p. 34), que quando a expedição se encontrava em Nioac, planejou partir e “as mulheres dos soldados, com excepçao de duas ou três, ficaram no acampamento”.

 

Em 1865, o desembargador mineiro Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, em seu relatório mostrou que a região de Diamantina forneceu uma centena de Voluntários da Pátria (MINAS GERAIS, 1865). Os Voluntários da Pátria de Diamantina partiram para Ouro Preto em 3 de abril de 1865. Seguiram pelo Serro, Conceição do Mato Dentro, atravessaram três cursos d´agua (Rio Santo Antonio, Rio Cipó e Rio das Velhas), passam pelo Curral Del Rei (Belo Horizonte), e em 25 de abril, após percorrem aproximadamente 386 km, chegaram à Capital de Minas. Anatólio Assis (1984) afirma que “serão esses homens, muitos deles acompanhados de mulheres e filhos, que depois de uma marcha trágica de dois anos em direção da fronteira, terão força para realizar a Retirada da Laguna. ”(ASSIS, 1984, p. 28).

 

 

Considerações finais

 

O estudo buscou compreender a construção da narrativa que elegeu e valorizou a Retirada da Laguna na Guerra do Paraguai como um tema a ser lembrado no ensino de História Militar nos cursos de formação da Academia do Prado Mineiro, em Belo Horizonte. O elemento material da cultura militar escolhido para corroborar as narrativas foi a bandeira dos Voluntários da Pátria, colocada em local de destaque no Museu da Polícia Militar no Prado Mineiro. Nesse processo didático-pedagógico, o Manual de História Militar publicado nos finais da década de 1980 assumiu a centralidade da narrativa da disciplina História Militar. Ele, por sua vez foi o ponto de chegada de uma tradição de narrativas realizadas por militares que tem sua origem com a publicação do livro de Alfredo Escragnolle-Taunnnay, A Retirada da Laguna (1874), publicado logo após o fim dos conflitos.

 

O estudo não se propôs realizar uma revisão da literatura e do estado da arte sobre a Guerra do Paraguai e sim uma breve análise da produção realizada pelos escritores militares de Minas Gerais. Seus livros são analisados como fontes que possibilitam compreender o processo histórico de construção do tema Guerra do Paraguai, e especialmente do evento Retirada da Laguna, uma história vista como “mestra da vida”, na qual se reafirmam as “virtudes militares” tidas como desejáveis para os futuros militares de Minas Gerais.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

Fontes

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Referências bibliográficas

 

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NOTAS

 

[1] Didaticamente as produções sobre a Guerra do Paraguai poderiam ser alocadas em: 1) visões patrióticas como as de: Tasso Fragoso (1956), Paulo Queiroz Duarte (1981) e Dionísio Cerqueira (1980); 2) o Paraguai como líder latino-americano como nos estudos do argentino José Maria Rosa (1964); 3) a hipótese do imperialismo inglês defendida pelo jornalista brasileiro Julio José Chiavenatto (1979), o historiador argentino Léon Pomer (1984) e o jornalista uruguaio Eduardo Galeano (1971); 4) dimensões relacionadas às fronteiras e nacionalidades, estudadas pelo historiador inglês Leslie Bethell (1996), pelos brasileiros Marcelo Basile, Moniz Bandeira, Wilma Peres Costa, Alfredo Mota Menezes e Francisco Doratioto (2002), pelos paraguaios Juan Carlos Herken Krauer e Maria Isabel Giménez de Krauer (1983). A “Nova História da Guerra do Paraguai” tem como representantes: Francisco Doratioto (2002), o historiador canadense Hendrik Kraay (2012), entre outros.

 

[2] O museu foi criado em 3 de junho de 1974, pela Resolução 276, do Comandante-Geral, Cel PM Vicente Gomes da Mota, e oficializado pelo Decreto 20.592, de 3/6/1980. Ele estava localizado na Academia de Polícia Militar, no bairro Prado, em Belo Horizonte.

 

[3] Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Vol. IX. 1962. Figuras do Instituto Histórico. Augusto de Lima Júnior, p. 384-386.

 

[4] Duarte (1981) afirma que 130 praças do 27º foram incorporados, enquanto Taunay (1915) alerta que todos já haviam desertado.

 

[5] A Ordem-do-Dia nº 39, de 12 de março de 1865 e subsequentes, nas quais constam os nomes dos militares do Corpo Policial de Minas foram compiladas e publicadas em: SILVEIRA (1966).

 

Francis Albert Cotta é Doutor em História pela Universidade Federal de Minas Gerais - (2004), com estágio de doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (CAPES). Realizou residência pós-doutoral em História Cultural na UFMG (2007-2008); pós doutorado em Direito Penal e Garantias Constitucionais na Universidad Nacional de La Matanza/Argentina (2011-2013); Psicologia na Universidad John F. Kennedy/Argentina (2014-2015); Ciências Sociais - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2017-2018). Especialista Antropologia (UCAM), Filosofia (UFOP), Metodologia de Ensino (FPL) e História do Brasil Contemporâneo (UNI BH). Foi pesquisador convidado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris (CNRS/CEPAMM). Professor no Mestrado em Segurança Pública e Cidadania da Universidade do Estado de Minas Gerais, no Instituto de Educação Superior Latino Americano e na Faculdade de Direito da Fundação Pedro Leopoldo. Subchefe no Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da Academia da PMMG no Prado Mineiro. Possui experiência de 24 anos na Gestão de Segurança Pública Cidadã atuando como Negociador e Mediador de Conflitos em Minas Gerais.

 

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